GARIBALDI
E SUAS ATRAÇÕES TURÍSTICAS - SERRA GAÚCHA
O
breve relato anterior - Garibaldi - Quinta Festa Bortolini,
teve a finalidade cultural de lançar um olhar sobre o local
que serviu de berço a muitos imigrantes italianos. Vindos do
além-mar com sonhos e esperanças de um futuro de prosperidade
e de bem-estar, os Bortolini, também enfrentaram a dura realidade
de uma região inóspita. Pela persistência no trabalho e na fé
em Deus, devem ser considerados cidadãos que realmente adotaram
uma nova pátria e, mais que adotar construíram durante muitos
anos com traços de heroicidade, o que agora as gerações usufruem.
Render homenagens e construir monumentos é um ato louvável de
veneração. Mais do que um monumento, é pautar a vida nos passos
de dedicação e vivência dos valores perenes, necessários à convivência
humana familiar.
A
reflexão evidencia que os nossos ancestrais sonharam com o que
hoje podemos desfrutar sem as renúncias e a permanente labuta
para um relativo conforto generalizado. Realizar encontros,
fazer festas de família e conhecer os feitos dos ancestrais
é um dever, pois muitos deles não tiveram tempo e nem ocasião
para aprender as primeiras letras! É preciso dar-se conta de
tal realidade e fazer algo que realmente signifique uma prática
cultural e não um mero sentimentalismo passageiro. Às vezes
até parece que existam ainda, pessoas em estado de sonolência,
um verdadeiro torpor que não permite um olhar além do horizonte
local. Pois, é bem hora de acordar e sentir-se membro de sua
família. Mais, é preciso despertar os interesses e colaborar
até com algo bem mais simples do que admirar o que os outros
fazem. Participar enquanto é tempo, há oportunidades e propostas.
Um dia, talvez tenha que lamentar a indiferença, não superada
e agüentar o sentimento de uma vida vazia, porque egoísta. Os
bens são relativos e seu uso deve ir além dos próprios interesses
e até vaidades, sempre fúteis e insaciáveis.
Você,
amigo leitor, sabe quais os nomes dos ancestrais que imigraram
para o Brasil? Qual a possível data de sua chegada? Quais parentes
vieram juntos ou até depois? Em que navio vieram? Onde desembarcaram?
Onde se fixaram? Houve outras mudanças de residência? Qual a
ocupação? Quais os descendentes? Monte sua árvore genealógica
começando com sues pais e verá que conhecendo melhor, vai sentir
mais estima e amor, não só por ela mas por tudo o que foram
e fizeram. Garanto que terá outro olhar iluminando a própria
vida que em parte deles herdou! Na presente matéria, são selecionados
informes relativos a Garibaldi e algumas cidades da Região da
Serra, suas atrações turísticas que mostram o quanto houve de
trabalho para proporcionar relativo desfrute. Na verdade, são
marcas que evidenciam a dedicação exigida para proporcionar
bens resultantes. Pois veja, por exemplo, os imigrantes não
inventaram e nem construíram a estrada de ferro. Porém sem eles
a "Maria Fumaça" estaria enferrujando em algum depósito público.
Eles fizeram andar as locomotivas, um grande e eficiente meio
de transporte e hoje lazer. O Vale dos Vinhedos, outro exemplo
com uma paisagem típica, apresentando os parreirais e cantinas
donde saem os melhores vinhos e espumantes do Brasil. Seguem
alguns destaques que caracterizam Garibaldi e seus atrativos.
METRÓPOLE
BRASILEIRA DO CHAMPANHE
Em 2005 Garibaldi realizou a 9ª edição do evento de maior significação
que identifica o município como Metrópole Brasileira do Champanhe.
Anteriormente referido, a primeira produção comercial do apreciado
vinho ocorreu em 1913 e realizada pelo imigrante e engenheiro
Manoel Peterlongo que recebeu da Granja Pindorama( Ir. Pacômio
- 1911) a formula denominada champenoise que é um sistema de
dupla fermentação natural. Não poderia ser diferente uma vez
que a história consagra o frade Don Pérignon (1638-1715) como
o criador e impulsor do espumante na região de Champagne, distante
150 de Paris. Ao degustar um espumante, todos podem recordá-lo
e dizer como ele: Estou bebendo estrelas. Desde 1981 o evento
denominado Festa Nacional do Champanhe - FENACHAMP, vem ocorrendo
e reunindo, num local bem apropriado os produtores de champanhes/espumantes
da região. O público tem acesso não só aos espumantes mas pode
conhecer as principais etapas de fabricação da preciosa bebida.
As técnicas utilizadas são complexas e até os fabricantes guardam
seus segredos. O conceito geral do champanhe ou champanha é
um vinho espumante cujo dióxido de carbono resulta exclusivamente
de duas fermentações; a segunda, em garrafas especiais. A graduação
alcoólica fica entre 10,0% e 13,0%. Para chegar ao consumidor
passa por diversas etapas de elaboração, inclusive por uma cuidadosa
filtragem. Um processo longo que pode durar até três anos ao
se tratar do método champenoise. Já o processo charmat é mais
rápido e foi introduzido em Garibaldi pela vinícola Georges
Aubert em 1951. O processo charmat parte de um bom vinho branco
como base e é levado a fermentar em recipiente inox a uma temperatura
de 13ºC a 15ºc. e sob certa pressão atmosférica. A base da mais
nobre das bebidas são uvas brancas de qualidade. Diversos grupos
associativos e entidades interagem, visando fortalecer e congregar
empresas: Associação de Pequenas e Micro Empresas de Garibaldi
- APEME, Associação de Vinicultores de Garibaldi - AVIGA e outras.
Uma parceria entre as duas associações é um fator de progresso
cuja filosofia é sintetizada: Os pequenos serão fortes se estiverem
realmente trabalhando unidos e de forma cooperativa. Além dos
espumantes, já premiados com medalhas de ouro(2005) e prata(2003)
as vinícolas produzem vinhos de mesa de alta qualidade, tanto
brancos como tintos, igualmente premiados em concursos internacionais,
demonstrando o reconhecimento à qualidade e ao trabalho existente.
Os destilados de vinho: brandy, licores diversos, gin e vermutes
são produzidos em pequenas quantidades por diversas vinícolas.
Atualmente a AVIGA reúne 29 empresas e, destas, 9 fazem parte
das chamadas Microchampanherias de Garibaldi. É preciso destacar
pelo menos uma delas: Champanhe Don Naneto, da Vinícola
São Luís Ltda. de Marcorama, pertencendo a Paulo Bortolini,
colaborador do movimento Família Bortolini. Os vinhos e champanhes
Don Naneto têm um sabor especial! Ao fazer esta citação devo
alongar a vista e a compreensão para responder a um possível
questionamento de família: O que fazem os Bortolini em Garibaldi,
Bento Gonçalves, Caxias do Sul, Carlos Barbosa, Farroupilha
e cidades da Região da Serra? Os Bortolini têm tradição de trabalho
e persistência, atuando em áreas rurais e urbanas. Na área rural
as atividades são diversificadas: cultivo de cereais, criação
de gado leiteiro, parreirais muito comuns, cantinas familiares,
criação de aves, horti-fruti-granjeiros e outros. Na área urbana,
também trabalham em pequeno comércio, serviços em geral, pequenas
empresas e com destaque na indústria de móveis. São bem conhecidos
e reconhecidos com qualidade e estilo em ramos diferenciados
como móveis para escritório e para o lar, podendo citar a Bortolini
Móveis e Móveis HABG - Sleeper para quartos de crianças e adolescentes
- "Móveis feitos para sonhar". Apenas algo para ilustrar e informar
os interessados.
INDÚSTRIA METAL-MECÂNICA
No passado teve significativa valorização a fundição de Sinos
Bellini de João Bellini, implantada em 1885. Embora a reconhecida
qualidade dos sinos em todo o Brasil, o empreendimento não foi
levado adiante, em parte pela complexa técnica de fabricação.
As ferrarias familiares surgiram de necessidades de uma região
onde tudo deveria ser feito utilizando habilidades e criatividade
dos imigrantes. Os tempos passaram e, hoje empresas de alta
tecnologia , com características inovadoras, atendem às exigências
do progresso. O setor em questão conta com 22 empresas bem diversificadas
e respondem com 23,3% das exportações registradas pela indústria,
em Garibaldi. O destaque mais conhecido é a Tramontina com alguns
setores, embora a sede seja Carlos Barbosa. A metal-mecânica
ocupa a terceira posição no conjunto dos dez segmentos mais
representativos da economia municipal.
AVICULTURA
Segundo alguns, Garibaldi é a "terra do ovo e da uva". É um
dito jocoso, porém verdadeiro na sua aplicação. Pelas linhas
anteriores não restam dúvidas ao que se refere à uva. Parreiras
produzem uvas, muitas uvas e com elas se elaboram os vinhos
e os champanhes. A história de Noé, aqui é igualmente, recordada
de uma forma mais autentica. O bom vinho é qual sangue, como
estava gravado na Medalha de Ouro na primeira Exposição de Uvas(1913):
Bendita a terra a que este sangue aquece. Na harmonia da vida
a natureza tem seus caprichos. Da uva vem o vinho e do ovo vem
as aves, ou melhor, os frangos, um dos bons componentes da gastronomia
da mesa farta na comemoração dos 130 anos de imigração. As refeições
são transformadas em momentos festivos, com alegres cantorias,
tendo como cardápio, galettos, salames, queijos, polenta, massas,
pães, cucas, copas, sem esquecer os bons vinhos da cantina familiar.
Por volta de 1959 foi iniciada a criação de frangos empregando
novas sistemáticas e em grande escala. Iniciativa duvidosa no
início, porém em 1961 o primeiro aviário de porte foi construído,
evidenciando a validade do empreendimento. Da loucura inicial
emergiu uma expansão importante de grandes empresas. A produção
se expandiu de tal forma que, hoje, atingiu os primeiros lugares
entre os produtos de exportação, tendo um significativo retorno
financeiro. Os alimentos produzidos pela avicultura ocupam o
segundo lugar entre os dez segmentos mais representativos. Os
vinhos e champanhes têm seus segredos de fabricação e degustação.
A gastronomia também. Equipe especializada em comidas italianas,
os Veteranos, vão mostrar seus segredos na preparação do cardápio
da quinta festa Bortolini. Melhor do que a leitura destas páginas
é estar presente para comprovar que a fartura existe!
CONCLUINDO
Há, certamente, muito a ser conhecido e/ou visitado, pois o
progresso é constante, comprovando a tradição de trabalho e
persistência em todos os empreendimentos. Afinal é o berço dos
Bortolini e como tal deve ser conhecido para poder ser amado.
Muitos têm parentes na região e uma visita reforça os sentimentos
de afeto e laços parentais. Outros podem aproveitar a vinda
à quinta festa para conhecer mais parentes ou descobri-los.
É doloroso constatar que no decurso dos anos membros da mesma
família emigraram para locais diversos e distantes não tendo
oportunidade de encontros e reencontros familiares. As novas
gerações, freqüentemente, não conhecem tios, primos e até avós
pela realidade das distâncias. As próprias correspondências
escritas são raras, ficando restritas a casamentos, nascimentos
e falecimentos. O período escolhido para a quinta festa é bem
propício para encontros prolongados como ocorreu em Jaraguá
do Sul em 2003. O dia 30 de abril de 2006 cai num domingo, significando
três dias onde não há maiores compromissos de trabalho:dia 1/5/06
é feriado, Dia do Trabalho. A comissão esteve atenta num planejamento
que desse condições do melhor aproveitamento do tempo e de custos.
Uma viagem e muitas oportunidades para encontrar parentes! Um
bom planejamento sempre rende resultados proveitosos e muita
satisfação. Os Informativos de número 8 e 9 já apresentaram
boas sugestões que aqui são ampliadas e ilustradas para facilitar
as escolhas. Além disso existe a possibilidade de fazer contatos
diretos com parentes e conhecidos para visitas e encontros de
caráter particular. Os membros da comissão organizadora da quinta
festa, também estão disponíveis para informar e apoiar necessidades
e interesses da grande família Bortolini, tanto por telefone
como por e-mail. Telefones e e-mails, específicos, constam no
texto dos informes turísticos. A todos, bom proveito!
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de atrações turísticas de Garibaldi
| AGRADECIMENTO:
os autores e elaboradores dessa matéria agradecem à Secretaria
Municipal de Turismo de Garibaldi e Bento Gonçalves, pela
disponibilização do material bibliográfico e visual |
Ir.
Armando Bortolini
artolini@pucrs.br