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GARIBALDI
Ao
perlustrar as galerias de homens e mulheres ilustres por sua
bravura, simples na maneira de ser, impávidos no lance de desbravar
ínvios caminhos e tortuosos e íngremes veredas, vem ao espírito
do leitor o impulso vital de busca de nossos rumos para que
a infância e a juventude da Colônia Conde D'Eu, vila e cidade
de Garibaldi seja digna de ter nas veias o sangues dos avós
destemidos e incansáveis na sina do Bem e do Progresso.
Ir.
Elvo Clemente e Maura Ungaretti - 1993

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Ao
definir o local e data para celebrar a quinta festa Bortolini,
houve por parte dos delegados em Jaraguá do Sul, consenso de
que a região onde os Bortolini se estabeleceram por primeiro
no Rio Grande do Sul seria significativo. Conhecer um pouco
esta terra, sua história, sua gente e suas atrações, pode ser
algo importante para todos. Assim sendo, seguem informes sobre
o berço dos Bortolini e de outras famílias de imigrantes italianos,
prussianos, franco-suíços, poloneses e sírios. No entanto, o
interior das matas do planalto era habitado por indígenas Kaiganges(morador
do mato). No tempo da chegada dos imigrantes à colônia Conde
D'Eu poucos restavam na região.
SITUAÇÃO
GEOGRÁFICA
Situado na encosta superior do Nordeste do Rio Grande do Sul,
Garibaldi estende-se por 358,90 km² numa área montanhosa, formada
na era Mesozóica, apresenta camada de arenito e derrames basálticos.
O solo é constituído de terra vegetal e tabatinga, característica
de locais pedregosos, são de baixa fertilidade , com alto índice
de acidez. Na época da colonização a vegetação era formada de
mata subtropical e as elevações cobertas de araucária. O clima
e o solo são fatores propícios ao cultivo da videira, do milho,
do trigo e da batata.
O
clima é de transição e as chuvas são regulares por todo o ano.
A altitude média é de 640 metros e a temperatura oscila entre
33º e 0º C.
As
coordenadas geográficas: 29º15"22" de latitude Sul e 51º32'05"
de longitude Oeste. Dista 123 km da capital Porto alegre.

BREVE
HISTÓRICO
A Colônia Conde D'Eu surgiu como decorrência da política do
governo brasileiro após a Independência proclamada em l822.
Para tanto, enviou para o Sul da país imigrantes europeus, acostumados
ao clima frio e temperado.
A
região da Província do Rio Grande do Sul recebeu do Ministério
dos Negócios da Agricultura em 09 de fevereiro de 1870, terras
devolutas entre o rio Caí, os campos de Vacaria e o município
de Triunfo, surgindo assim, a Colônia Conde D'Eu. Denominou-se
Conde D'Eu em homenagem ao genro do Imperador D. Pedro II, esposo
da Princesa Isabel.
As
primeiras famílias destinada a Conde D'Eu chegaram a Porto Alegre
em julho de 1870. Segundo registros, eram 15 famílias de origem
prussiana(Códice 179-1870). Em geral os imigrantes depois de
atravessarem o Atlântico eram confinadas na ilha das Flores,
no Rio de Janeiro, seguindo viagem para o Sul em vapores. Chegando
em Porto Alegre permaneciam, precariamente alojados, esperando
conseguir lugar em barcos até Montenegro. Ainda eram necessários
três a quatro dias, seguindo por uma estrada que passa por Maratá,
em carroças e obrigados a carregarem nas costas a bagagem, alimentos
e ferramentas. Antes de 1870 já estavam estabelecidas na região
algumas famílias de origem portuguesa, além dos índios.
Em
outras regiões houve também, o assentamento de imigrantes italianos:
Dona Isabel, Caxias do Sul e Silveira Martins. Estes, juntamente
com Conde D'Eu foram os centros principais da colonização italiana
que, a partir de 1876 tiveram um desenvolvimento mais acentuado,
em função do eficiente trabalho do imigrante. Sendo a principal
atividade dos imigrantes a agricultura, necessitava de estradas
que dessem escoamento a seus produtos. A estrada de Maratá e
outras mereceram um trabalho permanente dos próprios colonos.
EVOLUÇÃO
POLÍTICA E ADMINISTRATIVA
A colônia Conde D'Eu foi criada em 9/02/1870 e transformada
em freguesia de São Pedro de Conde D'Eu em 1884 2º distrito
de Dona Isabel (Bento Gonçalves) em 1890 e, alcançou a emancipação
em l900.
A municipalização ocorreu pelo empenho de um grupo de cidadãos
liderados por Domingos Paganelli. O Decreto nº 327 de 31 de
outubro de 1900 de Antonio Augusto Borges de Medeiros, Presidente
do Estado do Rio Grande do Sul, elevou Conde D'Eu a vila e município
autônomo sob o nome de Garibaldi. O primeiro Intendente (prefeito)
provisório foi Jacob Nicolau Ely e eleito pelo voto popular
no ano seguinte.

ALGUNS
DESTAQUES
Em 1912 foram instalados no município Agências do Banco Pelotense
e um correspondente do Banco da Província.
Em
1918 chegou a Viação Férrea, construída pela "Compagnie Auxiliaire
de Chemin de Fer au Brésil", meio seguro de escoamento para
a produção e comunicação com outras cidades. Em 1919 chega em
Bento Gonçalves.
A
eletricidade é conseguida em 1918 através de uma usina hidráulica.
Nos anos seguintes foi instalada uma central telefônica municipal
e operada manualmente.
Em 02/03/1938 pelo Decreto Lei de nº 311 do governo Federal
a Vila Garibaldi foi elevada à categoria de cidade.
Com
o progresso da região em 1959 houve a perda de parte do seu
território com diversas emancipações, entre elas Carlos Barbosa,
Daltro Filho com o nome de Imigrante.
A
grande maioria dos habitantes de Garibaldi de raízes européias
destacando-se os italianos, que mantiveram a tradição de trabalho
de sol a sol em todas as estações do ano. Com isso conseguiram
elevar seu nível de vida no cenário nacional com significativa
renda per capita.
RELIGIÃO
E CULTURA
A língua dialetal italiana, usos, costumes, tradições e a fé
católica foram bagagens importantes para os imigrantes itálicos.
Depois de construir suas casas passaram a erigir capelas, oratórios
e escolas, em geral de madeira. A assistência religiosa foi
confiada ao Pe. João Menegotto coadjuvado pelos capelães Pe.
Domingos Palermo e Pe. Domingos Grecca, sediados em Dona Isabel.
Em 06/03/1886 foi nomeado vigário de Conde D'Eu o Pe. Bartolomeu
Tiecher teve diversos auxiliares. Em 1886 chegaram os Freis
Capuchinhos chefiados por Frei Rafael de la Roche, com a missão
de atender as necessidades espirituais dos imigrantes dispersos
pelos núcleos da região.
A convite de Dom Cláudio Ponce de Leão, chegarem as Irmãs de
São José de Chambery em 23/12/1898 para se dedicarem à educação
das jovens e aos cuidados da saúde da população. Abriram a escola
em 16/18/1898.
No
ano de 1899 um grupo de pessoas influentes e preocupadas com
a educação e a formação religiosa, decidiram convidar os Irmãos
Maristas que 1900 haviam chegado a Bom Princípio.
Um avanço importante foi a criação de capelas ligadas à igreja
matriz de São Pedro. Outro fator foi o jornal católico "La Libertà"
de Caxias comprado pelo Pe. João Frochetti em 1910. Teve diversas
denominações "Il Colono Italiano", "La stafetta Riograndense"
que durante a segunda guerra mundial mudou o nome para Correio
Riograndense. Nem tudo foi prosperidade fácil. Eis que em 18/06/1920
o fogo destruiu a igreja matriz. No ano seguinte foi iniciada
a construção de novo templo, sendo inaugurado em 15/03/1924
por D. João Becker. Sob a orientação e direção dos Capuchinhos
a paróquia de São Pedro de Garibaldi prestou e continua prestando
relevantes serviços à religião à cultura, à educação e à saúde
do município. Fato a ser destacado é a ampliação do número de
capelas, todas perfeitamente estruturadas, com igreja e salão
de festas.
A
maioria dos imigrantes eram católicos, porém havia núcleos de
valdenses que deram origem a outras igrejas. Pode ser destacada
a Igreja Evangélica Metodista Episcopal do Brasil, cujos primeiros
registros aparecem em 1895 com um templo na vila de Bento Gonçalves.
Em Garibaldi havia diversas famílias que ficaram até 1934 quando
houve a transferência das oficinas da Viação Férrea para Santa
Maria. Em 1954 foi reconstruído o templo em alvenaria onde vem
sendo celebrado culto e ações visando a manutenção da chama
da fé em Cristo sempre viva.

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EDUCAÇÃO
Nas regiões do Norte da Itália a escola não era muito difundida,
mesmo antes dos períodos de imigração. Ao chegarem nas novas
terras os imigrantes sentiram a necessidade do que seria um
mínimo: ler, escrever e contar. Junto às capelas e em outros
aglomerados logo surgiram escolas que, em geral, eram atendidas
por professores improvisados. Uma das primeiras, conforme documentação,
surgiu em Figueira de Melo no ano de 1877. Outras mais surgiram
depois: São Luís de Castro, Coronel Pilar, Presidente Soares,
Alencar Araripe, Costa Real, Linha Vitória, para citar algumas.
A
convite dos Freis Capuchinhos em 1889 chegaram as Irmãs do São
José de Chambery que iniciaram a educação sistemática com a
Escola São José, junto ao convento. Outra casa de educação foi
iniciativa de um grupo de pessoas influentes e preocupadas com
a formação integral dos cidadãos. Decidiram construir um estabelecimento
de ensino e, para tanto, dirigiram-se a Bom Princípio onde haviam
chegado os Irmãos maristas. Depois de algum tempo de espera,
em junho de 1904 chegaram em Garibaldi três Irmãos Maristas:
José Sion, Deodato e Paulo Norberto, de origem francesa, iniciando
imediatamente as atividades educacionais. Foi a origem do Instituto
e depois colégio Santo Antonio e da Granja Pindorama. Foi destaque
na região a Escola Normal São José e os cursos para Contadores
Técnico de Contabilidade e Guarda Livros do Santo Antonio. Em
1926 foi criado um Grupo Escolar Vila Garibaldi. A escola Santa
Inês, criada em 1923 atendia as filhas dos ferroviários.
SAÚDE
Uma séria preocupação dos imigrantes era a questão das doenças
e cuidados médicos. Na verdade, no começo da colonização os
médicos eram nomeados pelo governo e na região atendiam Conde
D'Eu, Dona Isabel, e Caxias. Significa que se pode constatar
a precariedade do atendimento dispensado.
A
primeira casa de saúde foi criada pelo médico Dino Caneva. Outro
médico Júlio Motti atendia principalmente a Sociedade "Stella
d'Italia" e mais tarde montou uma clínica por conta própria.
Os Postos de Saúde foram criados pelo Poder Público Municipal
no decorrer dos anos. Serviços médicos e odontológicos foram
estendidos a diversos distritos. A sociedade Hospitalar Beneficente
São Pedro, na data de 13/04/1933 criou o hospital utilizando
a antiga casa canônica.
Já em 1934 o Hospital São Pedro passou à paróquia, entregando
a administração às Irmãs de São José. Desde 1972 passou a ter
uma diretoria comunitária e conta com um corpo médico atendendo
variadas especialidades.

SOCIEDADE,
ARTES E ESPORTES
A vida de trabalho foi o marco dos imigrantes que não contavam
com recursos para a diversão. Nas noites de "filó" as famílias
se reuniam para algumas atividades práticas, jogo de cartas,
a "mora", as cantorias e as histórias contadas em meio às comidas
típicas e do bom e abundante vinho.
Nas
capelas havia as festas religiosas, jogo de bochas e as sagras;
um encontro que ninguém faltava. Com o andar dos anos surgiram
estruturadas, diversificadas atendendo os interesses de grupos
e da população em geral. Em 1910 surgiu o Clube Borges de Medeiros,
local para festas, recepções e teatros. Em seguida a Banda Santa
Cecília que alegrava as atividades, principalmente a festa do
padroeiro São Pedro e Nossa Senhora de Lourdes. Algumas agremiações:
União dos Moços Católicos, um local para festas, restaurante,
clube do Bolão e de bochas; clube Recreio 1º de Maio em l943
e clube 31 de Outubro em 1946; C.T.G Sentinela da Serra em 1982;
clube Tiro Caça e Pesca, com sede campestre, também em 1981.
No futebol existiu em 1928 Sport Clube Conde D'Eu; em 1940 Grêmio
Atlético Guarany.
Garibaldi
foi a sede da Primeira Festa da Uva na região da serra realizada
em 1913; em 1979 foi instituída a Festa Nacional do Champanhe
- FENACHAMP. Outros eventos: Festival Colonial - comidas típicas;
festival do vinho e do frango, realização do Lions Clube; semana
de Garibaldi - de 25 a 31 de outubro; Moto Clube AGAMO fundado
por jovens aficionados ao motociclismo.

AS
COMUNICAÇÕES
A deficiência cultural dos imigrantes não passou desapercebida
pelas autoridades e grupos associativos. Em muitas paróquias
da região como Caxias, Bento Gonçalves e Garibaldi a necessidade
de manter laços culturais e amizade foram sendo supridos ao
longo dos anos. As dificuldades políticas e das línguas, foram
enfrentadas e superadas pela tenacidade das lideranças religiosas.
O Pe. Carmine Fasulo fundou em 13/02/1909 em Caxias o jornal
"LA LIBERTÁ". Os Freis Capuchinhos e alguns católicos tendo
comprado o jornal o transferiram para Garibaldi em 1910 alterando,
em seguida o nome para "IL COLONO ITALIANO". No período da primeira
guerra mundial houve dificuldades passando a circular como o
nome "STAFETTA RIO GRANDENSE", adotado até 10/00/1941 quando
por determinação legal, passou a chamar-se CORREIO RIOGRANDENSE.
Em maio de l952 o mesmo foi transferido para Caxias do Sul tendo
mais de 50.000 assinantes.
Outro
jornal O GARIBALDENSE surgiu em 04/12/1966 que, embora com alguma
interrupção presta um serviço à comunidade.
Em
01/09/1981 iniciou a circulação o semanário NOVO TEMPO de propriedade
de Promoções e Jornalismo Ltda. O STELLA, um informativo, do
Acervo Histórico Cultural do Município iniciou suas atividades
em 1993.
As
rádios vieram bem mais tarde. A rádio Difusora Garibaldi começou
como um serviço de alto-falante em pontos estratégicos sob a
direção da União dos Moços Católicos. As lideranças locais finalmente,
conseguiram instalar uma emissora que iniciou suas atividades
em 04/11/1950.
Na terra do champanhe não poderia faltar a rádio Champanhe FM
fundada em 31/10/1981. O rádio amadorismo também faz presença
desde 1980. O PX clube da Garibaldi funciona desde 28/08/1981.
O Aeroclube Garibaldi existe desde 1945 e presta serviços na
sua modalidade bem como ao lazer.
A
telefonia foi iniciada em 03/01/1911 sendo modernizada gradativamente
com equipamento semi-automático em 1966 e automatizada em 1978.
O
acesso às colônias Conde D'Eu, Dna Isabel e Alfredo Chaves,
no começo da colonização era feita pela Estrada Geral. Fator
importante para a integração do agricultor, dando acesso aos
mercados. Mais tarde, foi chamada Estrada Buarque de Macedo,
importante rodovia, saindo de Montenegro atravessa a região
serrana chegando até Lagoa Vermelha. A RST 470 posterior, resolveu
satisfatoriamente o transporte para a região.
A
ferrovia em Garibaldi chegava em l918 facilitando o transporte
de cargas e passageiros. Embora tivesse no local, oficinas bem
montadas, por decisão da direção da Viação Férrea(VFRGS), foram
transferidas para Santa Maria, ponto central no Estado.
EMPREENDIMENTOS
Numa colônia onde tudo estava por ser feito o imigrante não
era somente agricultor mas também ferreiro, marceneiro, artesão,
pedreiro, sapateiro, funileiro e outros serviços fundamentais.
Merecem destaque as pequenas iniciativas em moinhos, alambiques,
marcenarias e uma indústria que foi notável: Fundição de Sinos
da propriedade de Giovani Bellini, em 1877. Os Sinos Bellini,
foram medalha de ouro na Exposição Internacional, ocorrida no
Rio de Janeiro em 1922. Em 1954 a Fundição Bellini se transferiu
para Canoas. Heitor Truccolo Cia. Ltda., em 1929 iniciou atividades
como funileiro e acabou, pelo seu espírito inventivo, fabricando
tampas metálicas, cápsulas para garrafas e cápsulas para champanhe.
Atendendo necessidade da região foi fundada em 04/04/1942 a
Cooperativa Agrícola Cairú Ltda. por um grupo de agricultores
com o objetivo de obter melhor rendimento na venda de seus produtos
em especial o trigo. Posteriormente foi construído um silo,
uma loja agropecuária e um supermercado.
O
primeiro hotel, Casa Curta, de iniciativa familiar, foi empreendido
visando atender imigrantes e viajantes. Outro hotel Faraon,
iniciou suas atividades em 1884, posteriormente surgiu no local
um prédio de apartamentos. O hotel Pieta foi inicialmente uma
pensão e depois reformado, oferecendo 50 apartamentos e 4 suites.
VINHOS
E CHAMPANHES/ESPUMANTES
A região montanhosa da serra, vales e colinas e com terras férteis
possibilitaram o cultivo de trigo, milho e da parreira, trazia
pelos imigrantes. O copo de vinho il bichier não poderia faltar
nas refeições e nas partidas de bochas, mora, baralho e nos
filós. Nos primeiro anos o cultivo atendia às necessidades do
plantador. Com o andar do tempo surgiram as pequenas cantinas
que recebiam uvas e vendiam vinhos. Alguns pioneiros merecem
destaque.
VINHOS
CONDE D'EU - PINDORAMA
Em 1904 Garibaldi acolhia os Irmãos Maristas de origem francesa
e da região dos vinhos. Aqui, os Irmãos Pacômio e Ir. José Sion,
plantaram vinhas(1905) para obter vinho visando o consumo interno.
Em 25/03/1911 o Ir. Sinforiano, atendendo necessidades, fundou
a Granja Pindorama ( terra das palmeiras)- a primeira cantina
da região, dando ao vinho o nome Conde D'Eu, com a rigorosa
fabricação, pois se destinava à celebração da missa, sendo conhecido
em todo o Brasil. Na 1ª Exposição de Uvas do Município de Garibaldi
1913 a uva Pindorama ficou entre as 10 melhores dos 133 expositores
e medalha de prata no vinho tinto. O aprimoramento da fabricação
do vinho prosseguiu e na 2ª Exposição de Garibaldi em 1914 obteve
medalha de ouro, de prata e de bronze. A ampliação da cantina
prosseguiu, assim como, o cultivo de parreiras. Como resultado
da melhoria de qualidade das uvas e dos vinhos, mais premiações
foram conquistadas. Na verdade, os Irmãos Maristas em 1918 já
tinham introduzido o cultivo de 54 qualidades de uvas finas
produzindo o excelente vinho Barbera, tipo Reno. Mais prêmios
foram conquistados em diversas exposições inclusive na Grande
Exposição Internacional do Centenário da Independência - 1922/1923
recebendo a Grande Medalha. O cultivo de ervas medicinais passou
a ser mais uma atividade, visando produzir licores, destacando-se
um Vermute e a medicinal "Pacomienne". O Ir. Pacômio, aproveitando
sua estada na França em 1923 verificou as novidades em maquinaria
e qualidades finas para serem aproveitadas. Em 1950 a Granja
Pindorama contava com 100 espécies da uvas. Em função de circunstâncias
próprias dos tempos, os Irmãos Maristas encerraram suas atividades
da fabricação de vinhos em 1978 porém conscientes da grande
contribuição dada aos vitivinicultores da região.

VINÍCOLA
PETERLONGO
Proveniente do Tirol italiano a família de Manoel Peterlongo
tinha o sonho de produzir em Garibaldi vinhos com a qualidade
européia. Por volta de 1913 o sonho começa a se tornar realidade
com a forte colaboração do Ir. Pacômio que, utilizando o processo
de fermentação natural na própria garrafa, denominado "Champenoise".
Manoel produziu o primeiro champanhe brasileiro. A primeira
exposição de Uvas de Garibaldi foi realizada de 24 a 26/02/1913
quando Peterlongo consegue medalha de ouro pelo seu produto.
Já em 1942 é feita a primeira exposição de produtos agrícolas
com destaque do Magazine Macy's de Nova York como comprador
do champanhe. Hoje os sucessores mantém linha e qualidade nos
produtos Peterlongo.
COOPERATIVA
VINÍCOLA GARIBALDI
Um grupo de 73 viticultores, em 22/01/1931 fundaram a Cooperativa
Agrícola de Garibaldi. No relatório de 1934 consta que a produção
foi de 2.500.000 litros e a declaração:
"Tutto questo ci induce a credere che nel 1935 Deo adjuvante,
seremo più de 300 soci e con una produzione superiore ai 3.000.000
de litri. Ecco quanto ci riserva l'avvenire". (Stafetta Riograndense,
1934). Destaca-se como uma das maiores vinícolas com uma capacidade
de estocagem superior a 40.000.000 de litros de vinho em diversas
variedades.
ROSSONI
S/A
O segredo de Guerino Rossoni eram as boas idéias numa região
inexplorada. Pelos anos de 1935 foram dados passos no setor
de oliveira e maçã. O sucesso parcial obrigou a mudança de direção
de forma inteligente. A maçã passou então a ser a base da produção
de derivados: suco, sidra, vinagre e outros que aliados ao vinho,
deram bases sólidas à empresa.
AUBERT
S/A
No ano de 1950 quatro amigos liderados por Georges Aubert aceitaram
o convite feito pelo Ir. José Otão para virem fabricar champanhe
em Garibaldi, onde já havia a tradição no setor. Utilizando
método "charmat" ou seja fermentação em autoclave obteve grande
êxito no mercado brasileiro. Vinhos e licores além do champanhe
fazem parte da produção da Georges Aubert S/A.
MARTINI
ROSSI E DE LANTIER
Empresa conhecida em outros países chegou a São Paulo - Brasil,
em 1951. ciente do potencial enológico da região em 1974 adquiriu
um estabelecimento em Garibaldi onde iniciou a produção do champanhe
De Greville. Outros produtos foram associados em especial os
Vermutes. A razão social em 1989 passou a ser De Lantier Vinhos
Finos Ltda.
CHANDON
& MOET
O resultado da associação de empresas nasce a Moet & Chandon
com a finalidade de produzir champanhe de primeira linha utilizando
o processo denominado "Assemblage". À excelente qualidade do
produto seguiram-se outros vinhos conhecidos com o nome Chandon.
FORESTIER
De origem canadense a Forestier instalou-se em Garibaldi em
1973 graças à oferta de terreno situado junto ao Distrito Industrial.
Importou 57 variedades realizando a primeira vinificação em
1980. Nos anos seguintes foram lançados novos produtos, destacando-se
o champanhe, com a instalação da adega de pedra onde o turista
é recepcionado e pode degustar os bons vinhos.
HINO
ÀS UVAS
Para encerrar este breve histórico pode ser interessante conhecer
o HINO ÀS UVAS, letra do Coronel Affonso Aurélio Porto e a música
do maestro F. Zani, por ocasião da primeira festa da uva, nos
dias 24, 25 e 26 de fevereiro de 1913.
A
terra se enfeita de flores
E os noivos se entreolham felizes
Passadas a vindima, os amores...
Deus Nosso Senhor os bendizes!
Coro:
Que de uvas se engrinalde
Teu solo, amado torrão,
Fazendo de Garibaldi
A terra da Promissão
Vinho
novo! o sangue da uva
Correndo na seiva da terra
A tonificar como a chuva
Que só esperanças encerra.
Saibamos
amar com carinho
O beijo celeste que traz
O sangue de Deus, feito vinho,
a festa do Amor e da Paz.
Até
junto ao altar elevado...
No cálice divino te avisto.
Símbolo do sangue sagrado
De Nosso Senhor Jesus Cristo.
Para
saber mais:
História da Garibaldi - Ir. Elvo Clemente e Maura Ungaretti
- Edipucrs Porto alegre, 1993
Fatos e Retratos - Lino Bortolini - Curitiba, Editora Champagnat,
2000
Bortolini - Canello, Grécia e Marsura - Armando Luiz Bortolini
- Porto Alegre, Evangraf, 1995
Enciclopédia Riograndense 1º volume - Klaus Becker - Canos,
Editora Regional Ltda. 1956
Antropologia Visual da Imigração Italiana do Rio Grande do Sul
- Rovílio Costa e outros - Porto Alegre, EST Edições, 1976.
As Colônias Italianas Dona Isabel e Conde D'Eu - Rovílio Costa
- Porto Alegre, EST Edições - 1992.
Siga para o próximo artigo: GARIBALDI E SUAS ATRAÇÕES TURÍSTICAS
Ir. Armando Luiz Bortolini
artolini@pucrs.br
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