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RUMO
À V FESTA BORTOLINI - II
O
ano de 2005 marca 130 anos da presença dos imigrantes italianos
no Rio Grande do Sul. A data está sendo comemorada festivamente
em muitos municípios onde a presença dos italianos é bem conhecida.
As comemorações se revestem de tons alegres de exaltação pelos
feitos dos desbravadores que com muito trabalho, fé inquebrantável
e muita esperança num futuro melhor para si e para seus filhos.
Eis algumas manifestações: tinham o sonho de ter na mesa a
quantidade suficiente de pão para alimentar os filhos (Frei
Rovílio Costa). Acrescenta: eles tinham fé de que dias melhores
estavam por vir. Diferentes olhares dirigidos ao colono: das
visões apologéticas - de um herói civilizador que veio fecundar
as terras selvagens - até as vertentes que levam em contra
as profundas contradições históricas. (Mário Maestri - 2005).
Os
primeiros imigrantes italianos chegaram ao Estado em 1875
e geraram três milhões de descendentes nos 130 anos de história.
Dos 496 municípios do Rio Grande do Sul 190 são hoje administrados
por descendentes de italianos. No Brasil, hoje a grande família
totaliza 26 milhões da população.
Os
Bortolini chegaram em 1877 possivelmente e, pelo que está
documentado Conde D'Eu foi seu berço. Diversas famílias aportaram
em anos subseqüentes e se fixaram na região da serra. Além
de Garibaldi, Bento Gonçalves, Veranópolis, Antonio Prado,
Caxias do Sul e Farroupilha, entre muitos. No Brasil afora
pode-se destacar os Estados de São Paulo, Espírito Santo,
Santa Catarina e Paraná. Os dados conseguidos sobre suas histórias
são um tanto imprecisos pela pouca documentação existente
e de difícil acesso. Mais estudos estão sendo feitos e, aos
poucos, embora os 130 anos, a história vai sendo contada com
o necessário rigor. Algumas pesquisas até estão voltando os
olhos para os pontos negativos, da vida dos imigrantes. Certamente
que os houve como os há em qualquer sociedade humana. No caso
das colônias italianas é apenas uma decorrência das limitações
impostas a eles pelos meios sociais, pelas motivações e carências
existentes. É uma marca dos desbravadores que além do abandono
oficial encontraram a oposição dos luso-brasileiros que achavam
que tinham mais direitos de brasilidade (Hohlfeldt - 1979).

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O
imigrante Andréa Pozzobon, descreve que no porto de Santos,
continuamente a 'negrada' nos chamavam de gringos, ladrões,
carcamanos...(Pozzobon -1997). Pois, além da natureza selvagem
havia um ambiente social e político um tanto incipiente, onde
tudo estava por ser feito. Os grupos coloniais, em função
das circunstâncias, bem cedo se organizaram visando suprir
as necessidades da instrução e do serviço religioso: escolas
e capelas. É bom destacar que é um tanto inadequado avaliar,
fazer considerações e juízos negativos ou positivos dos comportamentos
dos desbravadores sem os referenciais próprios da época e
do ambiente como um todo. Os critérios e referenciais atuais
não servem como avaliadores do passado, mesmo que os acontecimentos
sejam
Que
coisa entendeis por uma a nação? É a massa dos infelizes?
Plantamos e ceifamos trigo, mas nunca provamos o pão branco.
Cultivamos a videira, mas não bebemos o vinho. Criamos animais,
mas não comemos a carne. Apesar disso vós nos aconselhais
a não abandonarmos a nossa pátria? Mas é uma pátria a terra
em que não se consegue viver do próprio trabalho?
A
manifestação fala por si mesma e faz pensar para entender
melhor o que foi a vida dos primeiros tempos de imigração.
A situação referida persistiu mesmo depois da grande guerra(1914-1918).
Uma testemunha ocular, Antonio Mottin, natural de Marostica(1921)
assim escreve: As terras eram alugadas no sistema de mesadria(dialeto)
ou mezzadria(italiano) que era um contrato agrário associativo
que previa o cultivos de terras a um chefe de família(mezzadro)
e que deveria dividir pela metade com o proprietário; pesado
para o proprietário e lucrativo para o dono que vivia em cidades
da região: Veneza, Pádua, Bassano e alhures. Na prática, a
maioria dos imigrantes pouco tiveram da mãe-pátria em termos
de preparação para ir à América. Hoje podemos fazer uma pálida
idéia do que representou em sacrifícios e renúncias para os
nossos ancestrais. O que muitos dentre nós afirmam, os nossos
pais, avós e bisavós pouco falavam de suas peripécias tanto
da viagem para o desconhecido como dos primeiros anos de vida
na terra dos sonhos.
A
l'America noi siamo arrivati,
Non abbiam trovato né paglia né fieno.
Abbian dormito sul nudo terreno,
Come le bestie abbiam riposà'.
(Ricordi d'Italia - 1993) .
Embora
seja poesia revela uma dura experiência e não uma simples
fantasia poética. O texto está ficando muito longo, tão longo
que algum internauta já desistiu de saber o final: pensar
nos ancestrais significa o compromisso de estar presente na
quinta festa em Garibaldi em 2006. Pelo sim ou pelo não, cada
um escolhe sua maneira de celebrar os 130 anos. O convite
está feito e a festa está sendo preparada. Presente! Sim,
preciso conhecer mais a respeito da minha família e a festa
é a melhor oportunidade. Para algo mais, veja o Informativo
FB número oito.
Ir.
Armand L. Bortolini
artolini@pucrs.br
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